Crítica de Série - Dead Ringers
Ah os Reboots... Refazer personagens é promissor em teoria, mas muitas vezes executado sem muita intenção - um substituto apressado e preguiçoso por dinheiro.
“Dead Ringers”, da Amazon Prime, foge da mesmice.
Baseada no filme de Cronenberg de mesmo nome, temos Rachel Weisz no lugar de Jeremy Irons, interpretando uma dupla de ginecologistas gêmeas. Ringers entrega, preservando a estranheza característica do amado diretor enquanto leva a premissa a novos e surpreendentes patamares.
Nosso amado Cronenberg é conhecido pelo horror corporal, e a gravidez é uma das façanhas mais surreais e angustiantes. Naturalmente, tornar as personagens principais capazes de se engravidarem e fazerem o parto uma da outra abre dimensões incríveis. Uma das primeiras vezes que encontramos Beverly, a mais reservada e cautelosa das gêmeas, ela segura seu próprio aborto – o mais recente – na palma da mão. “Oh, olá,” ela sussurra.
Quanto mais aprendemos sobre as ambições das Mantle, mais elas parecem ficção científica: atrasar a menopausa preservando e implantando o próprio tecido uterino; projetar salas onde se possa dar à luz sem máquinas. A série recicla a imagem mais indelével do filme, vestindo as gêmeas com uniformes vermelho-sangue lindíssimos em fundos cinzentos e brancos (que fotografia meus amigues!).
Mas, em seu novo contexto, o uniforme tem uma conotação diferente, fazendo com que pareçam quase vindas de Handmaid’s Tale. Elas querem perturbar um sistema que aliena as mulheres dos seus próprios corpos, mas, ao aceitarem um acordo com o diabo do capitalismo, podem estar perpetuando o status quo.
Cronenberg ainda está por aí, tendo retornado ao seu estilo com “Crimes of the Future” do ano passado. Em outros lugares da televisão, o terror corporal enraizado nas ansiedades das mulheres ajudou a transformar “Yellowjackets” em um sucesso. “Dead Ringers” junta-se a estes. De “The Shining” em diante, gêmeos idênticos são uma fonte perene do estranho, e as Mantle não são exceção.
“Dead Ringers” pega um tipo de terror familiar e o funde com outro – irmãs que antes compartilhavam um útero agora fazem experiências com outras. É um caminho infalível para nos horrorizar.

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