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Mostrando postagens de abril, 2023

Crítica de filme: READY OR NOT

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REVIEW - Filme - Ready or Not. Uma sátira coloca uma noiva jovem contra o dinheiro antigo. Este horror satírico e desconfortavelmente real dos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, pega emprestado seu título da velha brincadeira de esconde-esconde. Em sua noite de núpcias, Grace (a PHODÁSTICA Samara Weaving) deveria estar na cama com seu noivo de sangue azul, Alex, mas sua “família razoavelmente fodida”, os Le Domases, tem um ritual conjugal diferente. Novas adições à família devem “escolher” um jogo para todo o clã jogar, escolhendo uma carta. Grace “escolhe” esconde-esconde - ou pelo menos uma versão disso em que seus perseguidores devem encontrá-la e matá-la antes do nascer do sol. Caso não consigam, perderão tudo. Entre eles está o irmão Daniel (jovial, lacônico e subutilizado), a irmã cheiradora de coca e alucinada Emilie, e a assustadora e vampiresca tia Helene. Melhor ainda é uma Andie MacDowell sensual – pegando MUITO da nossa amada MORTÍCIA -  empregando...

Crítica de Quadrinho - Angola Janga de Marcelo D'Salete

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O autor: Marcelo D'Salete. Fonte: Papo Nerd. Eu amo esse título, ANGOLA JANGA. Da língua Quimbundo, significa “Pequena Angola”. A região onde se localizava Palmares. Tal como Kardec, em seu Livro dos Espíritos, para essa review temos dois axiomas: 1º: não há um quadrinho nacional maior ou melhor do que Angola Janga. Veja… se pensarmos em uma vasta produção nacional feita por, para e sobre brancos, envoltos em pseudo-ativismo e quasi-autocrítica… NADA dos nossos quadrinistas tupiniquins supera o trabalho de Marcelo D’Salete. 2º: O autor não tentou aqui fazer uma ferramenta didática. Ou seja, Angola Janga não é criado como um pretenso instrumento pedagógico pedante a lá Laurentino Gomes. D’Salete não está aqui pensando em ensinar sobre escravidão e sobre Zumbi — mesmo nas alfinetadas brilhantes como em “Há cativos em Palmares”, e a resposta “Não como nos engenhos e vilas” — ele está aqui para nos ensinar que a escravidão é anacrônica. Ou seja, os engenhos, senhores e escravos estão a...

Crítica de Série - Wandinha

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Fonte: Netflix.  Sinistra, Woke, feminista e deliciosa: Wandinha é um passeio e tanto. A que ponto chegamos! Você arranca um testículozinho de um branco hétero cis escroto (usando piranhas) e é expulsa da escola! Gente. Que delícia. A NETFLIX conseguiu pegar os Addams, combinar com elementos harrypotter/percyjackson, crítica social e BAM: uma das melhores séries do ano. Feito da maneira certa, a Família Addams tem potencial para ser uma das franquias mais divertidas EVER. É um antídoto macabro para o sonho americano de cerca branca, usando o gótico e o Halloween — membros decepados, insetos gigantes, tesão demonstrado publicamente e monstros: Sereias, lycans e vampiros (mas não à lá Crepúsculo) e Wandinha é considerada a mais esquisita da escola! Acertaram na fotografia, elenco, figurinos e falas. Respostas grotescas NA MEDIDA. E, com facilidade, mesclaram comédia, horror e mistério. Um salve para a BRILHANTE Jenna Ortega. Que atriz! É lindo ver o subtexto e crítica encaixados num ...

Crítica de Quadrinho - A Guerra do Deserto

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  Fonte: acervo do autor. Um Cautionary Tale sobre os perigos da humanidade para si mesma: a Guerra do Deserto de Enrique Breccia. Acho que os Breccia — pai e filho — compartilham muito mais do que o fato de que são artistas primorosos. Eles são unidos também por uma grande quantidade de trauma e luto. Ambos sentiram o gosto amargo que um governo fascista pode deixar. O tipo de governo que — assim como um cachorro grande e malvado — adora ossos e fará de tudo contra aqueles que não são seus donos. Alberto e Enrique viram a ditadura argentina levar seu amigo e companheiro de criação de quadrinhos Héctor Oesterheld (e suas filhas) após a publicação de CHE. Estamos falando aqui do mesmo país devastado por “colonizadores” e exterminadores de indígenas nos pampas. A dor e o trauma ficam muito evidentes aqui. Enrique escolheu eventos de outro século e em outras terras para nos mostrar os horrores dos quais somos capazes, especialmente se houver distinção política ou estética entre grupos...

Crítica de Série - Shining Girls

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Fonte: Apple TV+  Gaslighting e viagem no tempo? É Shining Girls! Eu entendo demais se você está de saco cheio de assassinos — em série, lendários etc. Ou daqueles que aterrorizam mulheres (95% do cinema). Mas eu recomendaria MUITO que você experimentasse Shining Girls (Apple TV +). A premissa, tirada do romance de 2013 de Lauren Beukes, é de que 6 anos atrás, Kirby Mazrachi (Moss) sobreviveu a um ataque quase fatal e o cara nunca foi pego. Desde então, ela tem vivido mudanças na realidade. Às vezes coisas pequenas e um gato de estimação agora é um cachorro; e grandes, como ela ser casada e não solteira. Quando o corpo de uma jovem com ferimentos aparentemente idênticos aos dela é descoberta morta nos esgotos da cidade, ela une forças com o repórter Dan (Wagner Moura) para investigar e rastrear o que parece ser um serial killer que cruza décadas — indo e voltando. Moss é, como sempre, ferozmente intensa e atenta à menor mudança no humor ou sofrimento de sua personagem. Ela é inabal...

Crítica de Quadrinho - Yragael Urm

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Fonte: acervo do autor. Psicodélico e cósmico. Druillet no LSD. O primeiro livro de Lone Sloane (6 Voyages + Delirius) chegou pelo Pipoca e Nanquim e foi muito divertido. Mas, não há nada de Lone aqui. Essa obra é praticamente bíblica, como ler um texto antigo que você não consegue compreender totalmente dadas as suas camadas lisérgicas. A princípio, o ritmo é radical e o início é POUQUÍSSIMO ortodoxo. Páginas inteiras e duplas, verticais ou horizontais, algumas com texto, outros não. Da profundeza do preto, Druillet extrai desenhos macabros e psicodélicos, que ocasionalmente formam uma narrativa. Mas é Druillet. Quem se importa com narrativa? Geralmente lemos o texto, e em sua combinação com a arte nós temos uma narrativa. Yragaël exige o contrário. Você deve olhar para a arte e deixá-la penetrar... conduzir suas percepções, permitindo que você (TALVEZ) dê sentido às palavras. É como um manuscrito perdido, onde a arte é o texto e as palavras o decoram. Caso você tente fazer o tradicio...