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Mostrando postagens de janeiro, 2024

Livro - Final Girl Support Group (Grady Hendrix)

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Grady Hendrix é um escritor único de comédia de terror. O termo GAROTA FINAL se refere à única sobrevivente, que vence o assassino e vinga seus amigos. AMO slashers e é inevitável imaginar o que acontece com as mulheres icônicas que sobrevivem após os créditos, então a premissa do livro foi, para mim, curiosíssima e genial. O livro acompanha Lynette Tarkington, uma garota final diferentona. Junto da terapeuta, Lynnette e 5 outras mulheres que sobreviveram a massacres se reúnem para discutir seus traumas. Mas quando uma delas falta, Lynette suspeita que há algo terrivelmente errado. Nessa vibe, Hendrix consegue explorar trauma intenso, patriarcado, fandom tóxico e a curiosidade mórbida que nós humanos temos com a morte e seus instrumentos. A grande realização do livro para um fã desses filmes dos anos 80 como eu, foi que eu nunca pensei nas personagens como pessoas. Elas eram apenas bolsas sangue e manchas vermelhas na tela. Mas agora, tudo ganhou uma nova profundidade. Quando se ap...

Crítica de Filme - The Hunger (Fome de Viver)

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Bela Lugosi está morto. Morto-vivo. A voz aterradora de Pter Murphy ecoa enquanto duas figuras de preto e com óculos de sol se movem nas sombras, seduzindo um casal numa boate. A sedução vai até a casa do par que, subitamente, tem sua garganta cortada por David Bowie e Catherine Deneuve. A abertura de THE HUNGER deixa claro com sua psicodelia punk e verve que você assistirá uma bela obra de terror. É triste imaginar que quando Tony Scott morreu, pouquíssimos veículos de mídia falaram sobre isso aqui. Só mencionaram Top Gun, Um tira da pesada 2 e O último Boy Scout. Provavelmente pelo fracasso de bilheteria e por ter sido espancado pela crítica da época que não conseguiu perceber como a excentricidade, a transgressão e a arte ali estavam no talo. A palavra VAMPIRO, por exemplo, não é mencionada uma vez se quer. Com 40 anos de idade completos em 2023, o filme tem uma edição e montagem ágil e deliciosa, provavelmente proporcionada pela experiência do diretor e de seu irmão (Ridley S...

Hq - Lovistori (Brasa)

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Judith Butler, filósofa estadunidense, tem uma teoria crítica de gênero que aborda quais vidas ou corpos são vivíveis e quais são matáveis. Ela chega à conclusão de que regimes de produção de sujeitos (como o capitalismo) são também regimes de violência. O problema é que esses regimes acabam por eleger que a violência será exercida contra os corpos matáveis – pessoas LGBTQIAPN+, racializadas, mulheres – através dos indivíduos que esse próprio regime gera. Vemos isso através de acampamentos neopentecostais de cura gay, de 35,2% das denúncias de lgbtfobia serem de violência psicológica e 20,9% de violência física (site politize!) e do fato de pessoas homoafetivas serem consideradas doente mentais oficialmente até 1990 e pessoas trans até 2019. Você já pensou, por exemplo, que homem é um gênero mas quando se pensa violência de gênero não se pensa em homens cis? O regime ao qual Butler se refere é esse que instaurou uma desigualdade baseada numa diferença. Um olhar que separou grupos ...

Crítica de HQ - Metabarões (Pipoca e Nanquim / Humanoids)

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Se você conhece Incal, então sabe que entre todas as ideias daquela HQ maluca, havia um personagem chamado Metabarão. Não sabemos pq ele é barão; ou meta. Tudo o que sabemos é que ele tem uma metacraft e vive em um metabunker, e é o maior guerreiro do universo. Esta é a coisa mais Jodorowsky de todas. Ele está apaixonado pelo conceito nebuloso de “guerreiro”, e ao adicionar adjetivos como “meta”, pensa que está aumentando o nível de fodacidade para 11. A arte me conquistou já na primeira página. O argentino Juan Gimenez tem um estilo que lembra muito o de Don Lawrence (Trigan Empire e Storm), com painéis meticulosamente pintados. Ver o seu trabalho me impressionou e encantou como se eu estivesse de volta à casa da minha avó, folheando antigas edições de Espada Selvagem de Conan, maravilhado. A forma como ele evoca a escala e usa a perspectiva rivaliza facilmente com Incal, e o mesmo universo agora parece ainda mais grandioso. Uma ópera espacial categoria peso pesado, cheia de naves...

Crítica de FIlme - Satanic Hispanics

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Filmes de antologia são DIFÍCEIS. Embora sejam típicos de um gênero em particular – o terror – eles sempre estiveram por aí. Eles podem ser vinculados tematicamente, como o terror folk de The Field Guide to Evil ou uma ode nostálgica, como a série V/H/S. A única exigência é de que a coleção faça ALGUM sentido, em vez de apenas parecerem uma série de curtas frankensteinizados. A ligação temática para os SATANIC HISPANICS é cultural e geográfica. Em muitos aspectos, é um sucessor de México Bárbaro, de 2015 (UMA DELÍCIA DE ANTOLOGIA) - e não apenas porque ambos se baseiam fortemente ex membros do Fantastic Fest, ou porque compartilham um diretor de segmento. Enquanto um focou em diretores mexicanos, SATANIC nos trouxe figuras de toda a américa latina. A LINHA GUIA é fornecida por Mike Mendez (ex FF) com a história do Viajante, uma figura misteriosa (o INCRÍVEL Ramirez) contando histórias bizarras do sobrenatural para dois policiais incrédulos. Há um certo humor irônico na abertura ...