Crítica de HQ - Metabarões (Pipoca e Nanquim / Humanoids)

Se você conhece Incal, então sabe que entre todas as ideias daquela HQ maluca, havia um personagem chamado Metabarão. Não sabemos pq ele é barão; ou meta. Tudo o que sabemos é que ele tem uma metacraft e vive em um metabunker, e é o maior guerreiro do universo. Esta é a coisa mais Jodorowsky de todas. Ele está apaixonado pelo conceito nebuloso de “guerreiro”, e ao adicionar adjetivos como “meta”, pensa que está aumentando o nível de fodacidade para 11. A arte me conquistou já na primeira página. O argentino Juan Gimenez tem um estilo que lembra muito o de Don Lawrence (Trigan Empire e Storm), com painéis meticulosamente pintados. Ver o seu trabalho me impressionou e encantou como se eu estivesse de volta à casa da minha avó, folheando antigas edições de Espada Selvagem de Conan, maravilhado. A forma como ele evoca a escala e usa a perspectiva rivaliza facilmente com Incal, e o mesmo universo agora parece ainda mais grandioso. Uma ópera espacial categoria peso pesado, cheia de naves, planetas, império galáctico, culturas e trajes estranhos. A representação pesada da tecnologia por Gimenez dá um ar militarista e um pouco assustador (muito aqui vem de Duna). Tudo é muito ‘macho’, cheio de personagens guerreiros e noções exageradas de orgulho e masculinidade. A história assume a forma de uma saga familiar, acompanhando metabarões por algumas gerações, cada uma mais louca que a anterior. Não é de admirar, com o tipo de educação que recebem. De Duna, Jodo usa a história de Lady Jessica, Paul e as Bene Gesserit quase que na íntegra, mas dá um toque próprio (mais sangue, mais violência e abuso infantil). E ele reduz tudo para “devemos matar as sacerdotisas-prostitutas!”. Ainda existem ideias originais espremidas na estrutura maior, por isso não vou chamar de plágio. Tentei fazer as pazes com o material, repetidas vezes. Queria mais drama e foco ao invés do besteirol da hiper-masculinidade e do pseudo-poder-mental que cai numa psicose machista que eu nem consigo dizer se é satírica. Jodorowsky é uma fonte imaginativa poderosíssima, só não consegue usar recursos extremos de forma relevante narrativamente. Ele mirou na violência de Watchmen, e acertou em Zack Snyder.

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