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Crítica: Starve Acre (Matt Smith e Morfydd Clark)

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Starve Acre foi escrito e dirigido por Daniel Kokotajo, baseado no romance de Andrew Michael Hurley. O filme é estrelado por Morfydd Clark (Aneis do Poder) e Matt Smith (Casa do Dragão). Starve Acre é um filme em que cada quadro é permeado de pavor. Essa característica, inclusive, tem sido recorrente nessa nova onda de filmes permeados pelo OCULTO e pelo SOTURNO nos últimos anos, vide Hereditário, Saint Maude (com a própria Morfydd), e o irretocável MEN. Isso é tão impactante (de um jeito bom, absurdamente bem feito) que somos jogados numa piscina de imagético e clima perfeitos, que qualquer fã de Folk Horror vai se deliciar querer atravessar o monitor para estar naquele campo frio, belíssimo e macabro, e qualquer leitor de folk horror há de concordar comigo: isso é essencial. Não há como discutir esse subgênero ou torná-lo eficaz sem uma localização impactante como a que temos aqui... pântanos no norte europeu. Uma beleza desprovida de esperança. A sensação de pavor está em todo ...

Crítica: Saind Maud (Morfydd Clark)

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Trauma não resolvido e servidão doméstica são forças conflitantes tentando encontrar uma solução por meio do êxtase religioso no filme de estreia de Rose Glass, Saint Maud. Depois da atuação incrível da Morfydd Clark em STARVE ACRE, vim procurar o resto do catálogo da atriz. O monstro neste filme de cinematografia GLORIOSA gesta dentro de uma enfermeira aparentemente altruísta que assumiu a responsabilidade de fazer o trabalho de Deus e, ao fazê-lo, confunde a linha entre sanidade e santidade. A hipnótica Clark interpreta Maud, uma enfermeira paliativa introvertida que começa a cuidar de uma celebridade que se hospiceou dentro do quarto de sua mansão à beira-mar. Maud se muda e descobre que sua cliente levou uma vida de hedonismo e indulgência. As mulheres estabelecem uma complexa relação de “Quem está salvando quem?”. Para responder a essa pergunta, você terá que esperar até o final deste curta, mas extremamente enervante longa-metragem (perfeitos 84 minutos). E mesmo assim você ter...

Livro: Distância de Resgate (Samanta Schweblin, Editora Fósforo)

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Uma coisa comum quando discutimos TERROR – ou qualquer outro gênero – é o perigo de não termos Léxico para tanto. Explico: muitas vezes o gênero foi atacado como grotesco, nojento, menor e inútil. Isso muitas vezes ocorreu pelos críticos da época não terem nenhuma referência para lidar com o tema. Como alguém acostumado com Jane Austen e Maria Edgeworth reagiria ao ler Frankenstein? Um pouco disso me assombrou enquanto eu lia o brilhante DISTÂNCIA DE RESGATE da argentina Samanta Schweblin. Como lidar com uma narrativa que se comunica com o leitor como se fosse um sonho febril (inclusive o título anglófono é esse – Fever Dream) onde autora aumenta a tensão irrefreavelmente a cada linha? “‘Perder a casa seria pior coisa de todas’, e depois acontecem coisas muito piores, pelas quais eu daria a casa e a vida”. Narrado como um diálogo Amanda e o soturníssimo David, somos apresentados a um formato de narrativa inteligentíssimo, quase psicanalítico, com toda a história sendo relatada pela ...

Livro: A Casa no Limiar (Nova edição, William Hope Hodgson, Editora Diário Macabro)

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Que surpresa temos, direto de 1877: William Hope Hodgson. A nova edição da DIÁRIO MACABRO nos brinda com traduções excelentes – pude até participar de algumas como preparador – da prosa de Hodson, além de excelentes paratextos. Tudo isso no melhor projeto gráfico dedicado ao terror que já vi em terras tupiniquins. A editora se superou dessa vez, me deixando extremamente curioso pelo que está por vir. A história de Hodgson se confunde com a história do terror em si. A Casa no Limiar foi rejeitado 21 vezes até ser publicado. Marginalizado. Outsider. Esquecido. Chamado de inferior aos dramas de salão da época e aqui, nesse resgate tão necessário, vemos seu poder narrativo. - A Casa no Limiar é o maior texto do livro, misturando cenários irlandeses dom desespero, sangue e horror cósmico, que transbordam pelas páginas. Quase que inspirado em Jung, os porcos de Hodgson transbordam, assim como nosso medo, ameaçando nos aterrorizar até a morte. As coisas que escondemos, tememos... prontas...

Out There Screaming - Quem vai te ouvir gritar - (Jordan Peele, Picador)

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Jordan Peele é um dos meus diretores favoritos e acho que seus filmes são contribuições inteligentes e marcantes, a mais recente revolução no terror. Quando vi o seu nome em uma antologia de contos, soube que precisava ler o negócio. Out There Screaming: An Anthology of New Black Horror é editado por ele e John Joseph Adams. Com um prefácio bastante curto, mas provocante, Jordan Peele compara o terror ao Sunken Place de seu filme Corrae a um tipo de masmorra de tortura medieval chamado de oubliette, que vem da palavra francesa para esquecer. Mas, contraditoriamente, à medida que os autores expõem os seus próprios medos e Sunken Places pessoais nestas histórias, a antologia funciona como uma anti-oubliette, garantindo que não sejam esquecidos. São dezenove contos, de diferentes autores, que vão desde titãs do gênero, como Tananarive Due (que assina roteiro do CORRA!) e P. Djèlí Clark, até autores mais conhecidos por sua ficção científica e fantasia, como N.K. Jemison, Rebecca Roanh...

HQ: Monsters - Monstros - (Barry Windsor-Smith, Fantagraphics Books)

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Há mais aqui do que na maioria dos quadrinhos - mais pontos altos, falhas, tempo de concepção, linhas na página. Desde sua carreira ilustrando de maneira rebuscada o amado Conan, na Marvel, Barry Windsor-Smith tem resistido a deixar sua arte mais simples e segue exigindo mais de si. Meio século depois, o processo atinge o auge com MONSTROS, um volume enorme que busca mais intensidade, realismo, grandeza, uma mistura de coisas da vida com um pavor barroco e avassalador. Apesar do foco profundo da obra, temos menos intenção de apresentar os detalhes de sua narrativa do que seu tom - muitas vezes sombrio. A maneira como Monstros se articula como enredo, eu acho, é menos importante do que o sentimento transmitido enquanto avançamos lentamente por centenas de páginas densamente ilustradas, intrincadamente elaboradas e cheias de balões. Eu mesmo achei que era uma experiência avassaladora de inquietação e admiração simultâneas. O clima aqui é simplesmente mais intenso e impactante do que ...

Melhores filmes de Horror na primeira metade de 2024

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A metade de 2024 já acabou, e que ano estranho tem sido até agora. Em termos de bilheteria, o HORROR teve um início lento em comparação com os anos anteriores, exceto por um sucesso internacional surpresa que tomou de assalto os mercados asiáticos. Também foi um grande ano para filmes gêmeos, com filmes duplos de aranha, Sting e Infested, desencadeando terror aracnofóbico, seguidos pelos filmes de terror de freiras em duelo, Imaculada e The First Omen. Prequels de terror – incluindo A Quiet Place: Day One – e queridinhos indie como Late Night with the Devil e In a Violent Nature mexeram com os fãs também. Veja os nossos melhores até agora! Qual você acrescentaria?