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Mostrando postagens de julho, 2024

Livro: A Casa no Limiar (Nova edição, William Hope Hodgson, Editora Diário Macabro)

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Que surpresa temos, direto de 1877: William Hope Hodgson. A nova edição da DIÁRIO MACABRO nos brinda com traduções excelentes – pude até participar de algumas como preparador – da prosa de Hodson, além de excelentes paratextos. Tudo isso no melhor projeto gráfico dedicado ao terror que já vi em terras tupiniquins. A editora se superou dessa vez, me deixando extremamente curioso pelo que está por vir. A história de Hodgson se confunde com a história do terror em si. A Casa no Limiar foi rejeitado 21 vezes até ser publicado. Marginalizado. Outsider. Esquecido. Chamado de inferior aos dramas de salão da época e aqui, nesse resgate tão necessário, vemos seu poder narrativo. - A Casa no Limiar é o maior texto do livro, misturando cenários irlandeses dom desespero, sangue e horror cósmico, que transbordam pelas páginas. Quase que inspirado em Jung, os porcos de Hodgson transbordam, assim como nosso medo, ameaçando nos aterrorizar até a morte. As coisas que escondemos, tememos... prontas...

Out There Screaming - Quem vai te ouvir gritar - (Jordan Peele, Picador)

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Jordan Peele é um dos meus diretores favoritos e acho que seus filmes são contribuições inteligentes e marcantes, a mais recente revolução no terror. Quando vi o seu nome em uma antologia de contos, soube que precisava ler o negócio. Out There Screaming: An Anthology of New Black Horror é editado por ele e John Joseph Adams. Com um prefácio bastante curto, mas provocante, Jordan Peele compara o terror ao Sunken Place de seu filme Corrae a um tipo de masmorra de tortura medieval chamado de oubliette, que vem da palavra francesa para esquecer. Mas, contraditoriamente, à medida que os autores expõem os seus próprios medos e Sunken Places pessoais nestas histórias, a antologia funciona como uma anti-oubliette, garantindo que não sejam esquecidos. São dezenove contos, de diferentes autores, que vão desde titãs do gênero, como Tananarive Due (que assina roteiro do CORRA!) e P. Djèlí Clark, até autores mais conhecidos por sua ficção científica e fantasia, como N.K. Jemison, Rebecca Roanh...

HQ: Monsters - Monstros - (Barry Windsor-Smith, Fantagraphics Books)

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Há mais aqui do que na maioria dos quadrinhos - mais pontos altos, falhas, tempo de concepção, linhas na página. Desde sua carreira ilustrando de maneira rebuscada o amado Conan, na Marvel, Barry Windsor-Smith tem resistido a deixar sua arte mais simples e segue exigindo mais de si. Meio século depois, o processo atinge o auge com MONSTROS, um volume enorme que busca mais intensidade, realismo, grandeza, uma mistura de coisas da vida com um pavor barroco e avassalador. Apesar do foco profundo da obra, temos menos intenção de apresentar os detalhes de sua narrativa do que seu tom - muitas vezes sombrio. A maneira como Monstros se articula como enredo, eu acho, é menos importante do que o sentimento transmitido enquanto avançamos lentamente por centenas de páginas densamente ilustradas, intrincadamente elaboradas e cheias de balões. Eu mesmo achei que era uma experiência avassaladora de inquietação e admiração simultâneas. O clima aqui é simplesmente mais intenso e impactante do que ...

Melhores filmes de Horror na primeira metade de 2024

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A metade de 2024 já acabou, e que ano estranho tem sido até agora. Em termos de bilheteria, o HORROR teve um início lento em comparação com os anos anteriores, exceto por um sucesso internacional surpresa que tomou de assalto os mercados asiáticos. Também foi um grande ano para filmes gêmeos, com filmes duplos de aranha, Sting e Infested, desencadeando terror aracnofóbico, seguidos pelos filmes de terror de freiras em duelo, Imaculada e The First Omen. Prequels de terror – incluindo A Quiet Place: Day One – e queridinhos indie como Late Night with the Devil e In a Violent Nature mexeram com os fãs também. Veja os nossos melhores até agora! Qual você acrescentaria?

O Horror INCRÍVEL das mulheres latinas.

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Quem faz HORROR bom hoje em dia? Horror transcendental, que viverá firme pelas próximas décadas... centenas de anos? Conheça as mulheres latinas que criam horror e leia mulheres vivas! Para aprimorar a lista do post, conheça: Verena Cavalcante @verena__cavalcante Larissa Prado @lrsrprd Larissa Brasil @larabrasil Maria Fernanda Ampuero @maria_fernanda_ampuero Pilar Quintana @piliquintanav Emila Pardo Bazán @emilia_pardo_bazan_ Juana Manuela Gorriti @la20_jmg Silvina Ocampo @silvinaocampo_ Mariana Enriquez @marianaenriquez1973 Isabel Cañas @isabelcanas_ Fernanda Melchor @fernanda.melchor Cláudia Lemes @aquelaclaudialemes Agustina Bazterrica @agustinabazterrica Dolores Reyes @dolores.reyes.3 Brenda Navarro @despixeleada E tantas outras!

As Coisas que Perdemos no Fogo - Things We Lost in the Fire - (Mariana Enriquez, Hogarth)

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Acredito que às vezes a essência se perde na tradução, principalmente quando vamos de um idioma tão plural e maleável como o espanhol para o inglês. Coisas que Perdemos no Fogo foi originalmente escrito em espanhol por Enriquez. E Megan McDowell os trouxe para o inglês. Na minha opinião, essas traduções foram excepcionais - muitas vezes fiquei horrorizado, enojado e quase sempre desconfortável. Fazer o leitor sentir tão fortemente, seja qual for a emoção, não é uma tarefa fácil. Mas McDowell foi uma tradutora incrível, assim como Elisa Menezes na versão BR de Nossa Parte de Noite. Infelizmente, não consigo ler espanhol, mas vou me virando como dá. Os contos reunidos aqui são contados de maneira semelhante à Shirley Jackson, incorporando o sobrenatural e o mítico de uma forma cheia de terror. As histórias em si tendem a começar relativamente leves, mas à medida que nos aprofundamos, começamos a descobrir os horrores que aguardam nossos personagens. O contexto político e econômico ...

Anunciação - Conto (Cristhiano Aguiar, Amanda Miranda - Revista Sesc E)

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Contos são figuras curiosas. Há discussões sobre sua duração e estrutura... Surgem coisas como “ato” ou “clímax”. Há, inclusive, quem adore e quem deteste. Muitos leitores preferem sagas longas, volumosas. Eu sempre mantive um pouco de distância dessas últimas. Poucos criadores conseguem ser eficazes em seus trabalhos longos e muitos se tornam cópias de trabalhos estrangeiros ou mais antigos. Isso me impactou de tal maneira que me tornei um aficionado por contos e por romances que duram apenas um volume. No cinema, depois que o filme passa de certa minutagem, ele tem que merecer MUITO. Descobri ao longo dos anos que o mesmo acontece com o número de páginas. Dito isso, me apaixonei instantaneamente pelo trabalho de Amanda Miranda com seu JUÍZO. Direto e incisivo, repleto de horror. Brilhantemente ilustrado. Uma reflexão sinistra de 40 páginas sobre algo que o Brasil odeia: mulheres e suas questões urgentes. Cristhiano Aguiar nos brindou com o excelente Gótico Nordestino onde, por...