Crítica ESCÓRIA (Comix Zone) - Carlos Trillo e Juan Gimenéz
Em meados da década de 1960, os pesadelos do apocalipse nuclear assiduamente cultivados pela ficção científica da década anterior começaram a ser substituídos por visões de um futuro em que a Terra se tornara um lugar hostil ao homem, justamente pela ação dele. A superpopulação e a poluição ambiental, tanto consequência de uma industrialização crescente e cada vez mais globalizada, quanto de um modelo econômico baseado no consumo e produção de itens descartáveis, delineavam perspectivas muito, muito sombrias. E é justamente o subproduto dessas tendências sociais e econômicas, o LIXO (do título original BASURA, o que me faz discordar da tradução da editora), que dá título à HQ. Quanto mais consumo, mais LIXO; quanto mais população, mais LIXO; quanto mais industrialização, mais LIXO. Se extrapolarmos esse ad infinitum, o que temos é um planeta como o imaginado por Carlos Trillo e Juan Giménez: um mundo devastado além de qualquer capacidade de regeneração e coberto de montanhas de plá...