HQ: Neonomicon (Alan Moore)
Desde FROM HELL, 1991, Moore parou de mexer com temas que são facilmente lidos pela maioria das pessoas. Possivelmente para desencorajar adaptações cinematográficas e derivações. Com o divórcio longo e amargo com a indústria dos quadrinhos o GRANDE MAGO abandonou totalmente o mainstream e quase que totalmente a ação “encapuzado vs encapuzado”.
O que temos aqui em NEONOMICON é o início de seus trabalhos em quadrinhos na temática lovecraftiana – não o termo genérico usado na indústria hoje para TUDO O QUE É ESCURO kkkk – mas ele, provavelmente leitor e pesquisador da coisa toda, consegue nos levar a nuances da obra de HP que eu só consigo enxergar, por exemplo, graças aos estudos e leituras de artigos acadêmicos sobre o criador do Cthulhu.
Temos nessa edição – anterior a PROVIDENCE – uma exploração das fobias raciais e sexuais do HP... todas envoltas em uma vibe investigativa. É uma versão muito GORE de Arquivo X, com agentes inicialmente investigando crimes e assassinatos inspirados por Lovecraft até descobrirem/adentrarem algo MUITO maior.
Como eu disse. É GORE. É ULTRA gráfico. Violento, escatológico. Cada página do Jacen Burrows (e eu omiti as melhores, não coloquei fotos que possam estragar essa experiência) ficam impressas na nossa cabeça POR DIAS. Uma narrativa hábil, curta, direta. Um pequeno gostinho investigativo, que – embora em época diferentes – conecta-se MUITO BEM a PROVIDENCE. Embora sejam obras independentes, vemos que – assim como os OLD ONES – Alan Moore costura o tempo de uma forma diferente e é onisciente e onipresente em tudo o que escreve.
É chocante entender que a agente Brears não é realmente a protagonista da história. Não no sentido cósmico. Ela é apenas o recipiente para algo maior e mais terrível. Um monstro brutal caminha em direção a Red Hook, pronto para nascer.
Brears é o oposto da Virgem Maria. Uma anunciação profana. Cthulhu espera para emergir.
É aí que Alan Moore nos deixa no final, expostos aos horrores crus abaixo da superfície do mundo, com um monstro cósmico flutuando em seu líquido amniótico multidimensional.
Misantropia no talo. Desesperança.
O que nós, enquanto humanidade, merecemos além disso?


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