Livro: O Exorcismo da Minha Melhor Amiga (Grady Hendrix, Intrínseca, Quirck Books)

Se você AMA nostalgia misturada com ficção, como Stranger Things, e consegue lidar com passagens razoavelmente nojentas, MY BEST FRIEND’S EXORCISM é o seu livro, com duas adolescentes que lutam contra forças do oculto em 1988. Abby e Gretchen tornam-se amigas depois que Gretchen é a única pessoa a comparecer à festa de décimo aniversário de Abby – melhor parte do livro, para mim. Os pais de Gretchen são ricos e os de Abby não. Abby ajuda Gretchen a experimentar todas as partes da cultura pop que os pais superprotetores de Gretchen proíbem, e Gretchen fornece a Abby um abrigo contra uma família emocionalmente desolada. O livro está REPLETO de referências à década de 1980 e gira em grande parte em torno da obsessão da época por drogas (Just Say No) e rituais satânicos. Embora o livro inclua muitas referências divertidas à cultura dos anos 1980 também, ele possui detalhes que nos mergulham na confusa e controversa cultura oitentista dos EUA, como slut-shaming, victim-blaming, homofobia e dinâmicas de classe e realidades econômicas da Era Reagan. Acho que Hendrix nunca conseguiu ser tão anti-patriarcado, pró-feminista e cuidadoso com a personalidade de suas personagens femininas como aqui. Ainda que algumas delas sejam caricaturas, Abby e Gretchen são bem próximas da realidade. É doloroso de ler porque grande parte da coisa envolve o horror da vida real do ensino médio e da dinâmica tóxica. Há muitos momentos assustadores, mas surpreendentemente os TWISTS na dinâmica das amigas são mais sufocantes ainda. O livro é excelente para descrever a dinâmica da classe e para mostrar a dificuldade envolvida em expor o mal oculto quando todos estão obcecados em manter o decoro superficial – tanto no ensino médio quanto na comunidade de adultos da cidade, com muita consciência de classe. Uma obra que passa com louvor no Teste de Bechdel e que agradou mesmo com a forma como é resolvido. Uma adorável última linha. Uma carta de amor à década de 1980 e ao poder da amizade entre mulheres. Trecho em tradução livre: “Para Abby, “amigo” é uma palavra que foi suavizada pelo uso excessivo. “Sou amiga do pessoal de TI”, ela pode dizer, ou “Vou me encontrar com alguns amigos depois do trabalho”. Mas ela se lembra de quando a palavra “amigo” era algo tribal. Ela e Gretchen passaram horas classificando suas amizades, tentando determinar quem era o melhor amigo e quem era um amigo comum, debatendo se alguém poderia ter dois melhores amigos ao mesmo tempo, escrevendo os nomes um do outro repetidamente com tinta roxa, pilhadas pela alta dopamina de pertencer a outra pessoa, de ter um estranho escolhendo você, alguém que queria conhecer você, outra pessoa que se importava com o fato de você estar vivo.” Comprado em SEBO CLEPSIDRA

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