Crítica de Quadrinho - Yragael Urm
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| Fonte: acervo do autor. |
Psicodélico e cósmico. Druillet no LSD.
O primeiro livro de Lone Sloane (6 Voyages + Delirius) chegou pelo Pipoca e Nanquim e foi muito divertido.
Mas, não há nada de Lone aqui.
Essa obra é praticamente bíblica, como ler um texto antigo que você não consegue compreender totalmente dadas as suas camadas lisérgicas. A princípio, o ritmo é radical e o início é POUQUÍSSIMO ortodoxo. Páginas inteiras e duplas, verticais ou horizontais, algumas com texto, outros não. Da profundeza do preto, Druillet extrai desenhos macabros e psicodélicos, que ocasionalmente formam uma narrativa.
Mas é Druillet. Quem se importa com narrativa?
Geralmente lemos o texto, e em sua combinação com a arte nós temos uma narrativa. Yragaël exige o contrário. Você deve olhar para a arte e deixá-la penetrar... conduzir suas percepções, permitindo que você (TALVEZ) dê sentido às palavras. É como um manuscrito perdido, onde a arte é o texto e as palavras o decoram. Caso você tente fazer o tradicional, se sentirá oprimido e incompetente.
Há páginas brancas, decorativas, que marcam movimentos/capítulos, interrompendo o fluxo do turbilhão.
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| Fonte: acervo do autor. |
Acompanhamos a criação do universo, o aparecimento de deuses, a construção de ídolos e cidades por massas de homens, e uma visão da natureza como uma luta entre divindades ou forças místicas.
Assim como a Bíblia... Após o Yragaël, semelhante ao Gênesis, vem o Livro de Urm. Um século depois, o filho de Yragaël, Urm, é deformado, infeliz e vive no deserto, quando é abordado por demônios para recuperar um talismã deixado por seu pai no coração da Cidade Negra para que ele possa se tornar rei. Urm é uma história em quadrinhos mais tradicional, baseada em painéis, mais fácil de ler, embora não necessariamente fácil de entender.
Não recomendo a neófitos em Druillet, ou a um leitor inexperiente, com certeza. É algo extremamente ambicioso e o próprio Druillet falou em uma entrevista que estava reutilizando sua arte de quadros regulares em quadrinhos para que alcançassem mais pessoas e durassem mais na história.
Nesse sentido, este livro de 1972 pode ser visto tanto como um portfólio distópico do apocalipse de éons já esquecidos.
Um necronomicon de um Van Gogh que queria fazer capas de Death Metal.

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