Crítica de Série - Wandinha
![]() |
| Fonte: Netflix. |
Sinistra, Woke, feminista e deliciosa: Wandinha é um passeio e tanto.
A que ponto chegamos! Você arranca um testículozinho de um branco hétero cis escroto (usando piranhas) e é expulsa da escola!
Gente. Que delícia.
A NETFLIX conseguiu pegar os Addams, combinar com elementos harrypotter/percyjackson, crítica social e BAM: uma das melhores séries do ano.
Feito da maneira certa, a Família Addams tem potencial para ser uma das franquias mais divertidas EVER. É um antídoto macabro para o sonho americano de cerca branca, usando o gótico e o Halloween — membros decepados, insetos gigantes, tesão demonstrado publicamente e monstros: Sereias, lycans e vampiros (mas não à lá Crepúsculo) e Wandinha é considerada a mais esquisita da escola!
Acertaram na fotografia, elenco, figurinos e falas. Respostas grotescas NA MEDIDA. E, com facilidade, mesclaram comédia, horror e mistério. Um salve para a BRILHANTE Jenna Ortega. Que atriz!
É lindo ver o subtexto e crítica encaixados num divertido passeio de carro fúnebre.
Contra muitas das críticas que vi, julgo que houve preguiça intelectual. SIM, Tim Burton é um racista. Mas aqui vemos que talvez ele tenha sido chamado por sua afinidade com o gótico e não tenha conseguido macular a obra.
Temos atores de ascendência latina no protagonismo e participação crucial de atores pretos. Mais do que isso, a série advoga pelos excluídos. Aqui, eles são criaturas folclóricas, mas o que sofrem se encaixa perfeitamente no que vemos no jornal.
Somado a isso, todos os atos de violência DE FATO contra essas ‘minorias’ são executados por mãos brancas cis: O grande peregrino é um extremista cristão criminoso. A sua devota é uma criminosa. A coisa bate tão pesado que faz questão de colocar uma pistola muito reconhecida da imagética nazista nas mãos da vilã, que revive um ‘inquisidor’ com magia nefasta e sangue chicano para que mate e oprima minorias no intuito de “deixar tudo lindo, padrãozinho e branco”.
E feminismo, com a Wandinha usando termos como GASLIGHTNING e MANSPLAINING — infelizmente perdidos na versão legendada/dublada. E o roteiro, de forma sagaz, colocando TODOS os chiliques, dramas e crises românticas nos personagens masculinos.
Recentemente, inclusive, um dos produtores ficou revoltado com declarações da atriz Jenna Ortega, pois ela afirmou que o dia-a-dia no set não era tão tranquilo, que muitas vezes teve que bater o pé e alterar falas para manter a essência do personagem. O produtor - um homem branco, claro, que jamais aceitaria ser questionado por uma mulher, e ainda mais hispânica - disse que é impossível trabalhar com ela e que ela tem uma personalidade difícil. Bom, a série lucrou horrores de dinheiro, é uma das mais assistidas da história da Netflix e a Jenna entrou como produtora da segunda temporada. Que mundo difícil pra esses brancos cis né?
Por mais piranhas comendo testículos e mais Wandinha.

Comentários
Postar um comentário