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Mostrando postagens de novembro, 2024

Crítica: Starve Acre (Matt Smith e Morfydd Clark)

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Starve Acre foi escrito e dirigido por Daniel Kokotajo, baseado no romance de Andrew Michael Hurley. O filme é estrelado por Morfydd Clark (Aneis do Poder) e Matt Smith (Casa do Dragão). Starve Acre é um filme em que cada quadro é permeado de pavor. Essa característica, inclusive, tem sido recorrente nessa nova onda de filmes permeados pelo OCULTO e pelo SOTURNO nos últimos anos, vide Hereditário, Saint Maude (com a própria Morfydd), e o irretocável MEN. Isso é tão impactante (de um jeito bom, absurdamente bem feito) que somos jogados numa piscina de imagético e clima perfeitos, que qualquer fã de Folk Horror vai se deliciar querer atravessar o monitor para estar naquele campo frio, belíssimo e macabro, e qualquer leitor de folk horror há de concordar comigo: isso é essencial. Não há como discutir esse subgênero ou torná-lo eficaz sem uma localização impactante como a que temos aqui... pântanos no norte europeu. Uma beleza desprovida de esperança. A sensação de pavor está em todo ...

Crítica: Saind Maud (Morfydd Clark)

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Trauma não resolvido e servidão doméstica são forças conflitantes tentando encontrar uma solução por meio do êxtase religioso no filme de estreia de Rose Glass, Saint Maud. Depois da atuação incrível da Morfydd Clark em STARVE ACRE, vim procurar o resto do catálogo da atriz. O monstro neste filme de cinematografia GLORIOSA gesta dentro de uma enfermeira aparentemente altruísta que assumiu a responsabilidade de fazer o trabalho de Deus e, ao fazê-lo, confunde a linha entre sanidade e santidade. A hipnótica Clark interpreta Maud, uma enfermeira paliativa introvertida que começa a cuidar de uma celebridade que se hospiceou dentro do quarto de sua mansão à beira-mar. Maud se muda e descobre que sua cliente levou uma vida de hedonismo e indulgência. As mulheres estabelecem uma complexa relação de “Quem está salvando quem?”. Para responder a essa pergunta, você terá que esperar até o final deste curta, mas extremamente enervante longa-metragem (perfeitos 84 minutos). E mesmo assim você ter...

Livro: Distância de Resgate (Samanta Schweblin, Editora Fósforo)

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Uma coisa comum quando discutimos TERROR – ou qualquer outro gênero – é o perigo de não termos Léxico para tanto. Explico: muitas vezes o gênero foi atacado como grotesco, nojento, menor e inútil. Isso muitas vezes ocorreu pelos críticos da época não terem nenhuma referência para lidar com o tema. Como alguém acostumado com Jane Austen e Maria Edgeworth reagiria ao ler Frankenstein? Um pouco disso me assombrou enquanto eu lia o brilhante DISTÂNCIA DE RESGATE da argentina Samanta Schweblin. Como lidar com uma narrativa que se comunica com o leitor como se fosse um sonho febril (inclusive o título anglófono é esse – Fever Dream) onde autora aumenta a tensão irrefreavelmente a cada linha? “‘Perder a casa seria pior coisa de todas’, e depois acontecem coisas muito piores, pelas quais eu daria a casa e a vida”. Narrado como um diálogo Amanda e o soturníssimo David, somos apresentados a um formato de narrativa inteligentíssimo, quase psicanalítico, com toda a história sendo relatada pela ...