Crítica: Starve Acre (Matt Smith e Morfydd Clark)
Starve Acre foi escrito e dirigido por Daniel Kokotajo, baseado no romance de Andrew Michael Hurley. O filme é estrelado por Morfydd Clark (Aneis do Poder) e Matt Smith (Casa do Dragão).
Starve Acre é um filme em que cada quadro é permeado de pavor. Essa característica, inclusive, tem sido recorrente nessa nova onda de filmes permeados pelo OCULTO e pelo SOTURNO nos últimos anos, vide Hereditário, Saint Maude (com a própria Morfydd), e o irretocável MEN.
Isso é tão impactante (de um jeito bom, absurdamente bem feito) que somos jogados numa piscina de imagético e clima perfeitos, que qualquer fã de Folk Horror vai se deliciar querer atravessar o monitor para estar naquele campo frio, belíssimo e macabro, e qualquer leitor de folk horror há de concordar comigo: isso é essencial. Não há como discutir esse subgênero ou torná-lo eficaz sem uma localização impactante como a que temos aqui... pântanos no norte europeu. Uma beleza desprovida de esperança.
A sensação de pavor está em todo canto, e a vida toda parece estranha, como se algo definitivamente não estivesse certo no mundo dos personagens. A trilha sonora, composta por Matthew Herbert, é usada com o máximo de efeito para manter os espectadores assustados e nervosos.
De muitas maneiras, a atmosfera obscura do filme reflete o romance de Andrew Michael Hurley. A prosa dele nunca foge da linguagem descritiva e precisa quando se refere à paisagem física de Starve Acre, uma terra que está encharcada de sangue e horrores, e a proximidade de Richard (Smith) com ela desenterra memórias imundas. De uma árvore mítica a sacrifícios ocultos, o solo é antigo e faz sua presença ser conhecida.
O único “problema” de Starve Acre é que vemos histórias no mesmo estilo sendo executadas de forma magistralmente em um passado muito recente. Foi o que aconteceu em Lamb e A Bruxa, que inclusive conseguiram conectar melhor o realismo mágico com os eventos traumáticos de seus personagens. Caso esses filmes não existissem, Acre seria arrebatador, sem a sensação de que está surfando a onda de coisas melhores, embora a atuação de Clark e Smith seja uma das melhores no terror nos últimos dez anos.




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