Crítica de Filme: Garota Sombria Caminha pela Noite

Elegante, subversivo e sedutor. A Girl Walks Home Alone At Night é extremamente marcante. A primeira vez que vemos Girl, a protagonista, temos uma linda e draculesca silhueta silenciosa observando um carro distante onde um cafetão e traficante agride uma prostituta. Logo, ela desaparece. Na próxima vez que eles se encontrarem, o encontro terminará em sangue. Chamado de “o primeiro faroeste iraniano de vampiros” e o negócio faz jus, com seus olhares desafiantes, sangue e poeira, GIRL conta a história de uma vampira solitária que caça HOMENS nas ruas de BAD CITY, o longa de estreia de Amirpour suga (olha o trocadalho) de Sergio Leone e Nosferatu, retrabalhando e reformando seus antecessores. Deixando de lado o melhor preto e branco que já vi, atores incríves e um cenário Mad Max 1, o maior acerto de Armipour é a caracterização subversiva do mundo e da garota. Ela pegou os traços hiper-masculinos básicos de vampiros e faroestes para contar outra história. O xador, ao invés de um chapéu de couro ou a capa do drácula, e bombas de óleo em vez de gado reforçam o Irã, ou melhor, o foco na opressão iraniana e na resistência feminista. Ao contrário da paisagem colonial masculina do Ocidente, explorada por brancos do sexo masculino em busca do sonho americano, GIRL foca nas implicações de gênero da navegação no espaço. Como é ser mulher na cidade? Como é andar e NUNCA sentir segurança? Esta ameaça REAL, vivida pelas mulheres cotidianamente, atualmente e desde sempre, vem como um soco. Em seu vigilantismo vingativo, GIRL é enquadrada sozinha, velada e de frente para a câmera, refletindo a postura do Homem Sem Nome, de Eastwood. Ela desafia tanto a violência que os homens apresentam, como a ausência da justiça, que não existe/não se importa com as mulheres. O foco também é outro. A câmera mostra em close o assassinato de homens que machucam mulheres. Através da sede de sangue da menina, transforma-se o individualismo e a masculinidade branca dos faroestes a uma história de solidariedade e retribuição feminina. "Você é um bom menino?" Intimida a Garota, encurralando um pirralho. Esqueça o faroeste machão, GIRL é uma necessária fantasia de ódio feminina.

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