Resenha: Mega (Salvador Sanz - Zarabatana)
Há alguns anos eu tive uma sorte grande: era festa ou feira do livro, online por causa do covid, e tive acesso ao catálogo da Zarabatana com descontos impossíveis.
Daí, julguei pela capa, e peguei Esqueleto e suas sequências, Legião e Angela De La Morte. Todos de um argentino chamado Salvador Sanz.
O que eu não sabia era que estava encontrando um novo ícone dos quadrinhos para mim e um mestre no horror, que acabou por virar uma grande inspiração na maneira como concebo histórias.
Nas obras que citei, eu já fui pego por dois elementos que hoje são indistinguíveis do nome Salvador Sanz para mim: altíssimo nível de arte e o horror ligado no máximo. Estamos lidando com um autor que, como Clive Barker, Amanda Miranda ou Mariana Enriquez, não faz concessões (a não ser que ele imagine as coisas num nível muito pior na cabeça dele lol) e nos entrega uma cena brutal atrás da outra. Obviamente, quem havia visto os combates e momentos viscerais de Esqueleto e a curiosa inovação de roteiro em Angela, já imaginava que MEGA seria algo surpreendente.
No entanto, essa leva de Sanz que comprei coincidiu com a chegada da minha filha. O orçamento apertado não permitiu que eu tivesse acesso à visão do autor sobre kaijus/monstros gigantes até hoje.
E a espera valeu cada segundo, ou melhor, cada quadro.
MEGA é o que você fã de Pacific Rim, Evangelion e Godzilla sempre quis, só que banhado com a aura soturna de Sanz e suas camisetas de metal pesado.
Acompanhar os desígnios malignos de Felipe, a força de Tina e a presença de seu avô em sonhos tão vívidos quanto aterradores, é um deleite. Os rostos de Sanz e sua maneira de representar emoção através de ações é algo que nunca deixa a desejar, assim como o WEIRD – embora essa história tenha personagens melhor desenvolvidos do que muito do que foi feito nos anos 20 e 30, Sanz poderia facilmente estar entre os Lovecrafts, Howards, Machens e Clarkes, dado os elementos que escolhe para instaurar o terror e o quão boa é a sua lida com monstros.
No topo de tudo isso, é maravilhoso ver algo distante do colonizante heroísmo norte-americano de sempre.
A Salamandra escolheu um alvo sul-americano, e Mega e a argentina Tina vêm nos salvar.


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