Crítica: Bebê Rena (Netflix)
A coisa que eu não conseguia tirar da cabeça quando comecei a assistir Baby Reindeer, foi: "Quanto dessa história é realmente verdade?” E então, quando terminei a série e fiquei chocado ao saber que não é apenas verdade, mas também é autobiográfica. Não é apenas autobiográfica, mas a estrela principal, Richard Gadd, que interpreta o protagonista Donny, também é o criador da série – ou seja, Gadd estava literalmente repetindo uma versão ficcional de algumas das cenas mais traumáticas de sua vida.
A série explora temas de ambição e fama, trauma, obsessão, doença mental, sexualidade e vergonha. O que é impressionante em Baby Reindeer é que ele faz tudo isso em sete episódios. Depois de assistir, me senti física e mentalmente esgotado, mas sem dúvida fiquei maravilhado com o primor de roteiro e com a estranheza de tudo o que estava na minha frente.
Donny parece um cara comum. Sim, ele está sendo perseguido por uma mulher com problemas mentais, mas ele não é exatamente um homem perfeito. Como comediante, seus atos são horríveis e às vezes ofensivos. Ele também está mentindo para Teri (a incrível Nava Mau), a mulher com quem está namorando, e parece ter alguma transfobia inerente quando se trata de ser visto com ela. Portanto, embora SAIBAMOS que Donny é vítima de Martha, ele também é um macho escroto.
Mas à medida que Baby Reindeer lentamente descasca as camadas de Donny, as suposições anteriores não têm mais tanta validade. À medida que ele se desfaz, sua fachada também se desfaz, e o que encontramos por baixo é absolutamente devastador. Ele não é apenas um comediante fracassado que parece estar preso em um trabalho sem saída que odeia; ele é um homem assombrado por graves abusos sexuais e paralisado pela auto-aversão e pela alienação de sua própria sexualidade.
Quando a série acaba, entramos em estado de profunda reflexão. Há muito o que se pensar. Por exemplo – diversas cenas são gatilhos pesados, será que a Netflix ajustou bem a classificação da série? Há um viés complicado de que abuso leva alguém a “mudar” sua orientação sexual. Ao mesmo tempo, não é uma lição em forma de película, é uma tragédia.
Um resumo da tragédia humana.

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