Crítica: Furiosa (Mad Max)

É impossível para mim imaginar certas sequências. O peso da responsabilidade. O fardo da manutenção da qualidade. O pesadelo da inovação. Como fazer um ‘Nossa Parte de Noite’, parte 2? Um ‘Tubarão’ 2? Um Drácula de Bram-Stoker dirigido por Copolla parte 2? Um ‘Raw’ ou ‘Titane’ 2? A excelência de um produto é totalmente proporcional a dificuldade de extrair algo bom dali para um segundo filme, livro, conto, etc. Daí o ditado das sequências serem inferiores. Claro, fomos alimentados por Matrix 2, Highlander 2, O Corvo 2 e até Titanic 2. Como não ficar descrente? Esses eram alguns dos pensamentos enquanto eu esperava por FURIOSA, um prequel mas ainda assim uma ‘continuidade’ desse universo madmax tunado que ganhamos em 2015. E como eu fico feliz de estar totalmente errado e de carregar preocupações infundadas. FURIOSA se uniu a um panteão BASTANTE restrito de sequências que deram certo. Fury Road, melhor filme de ação século XXI, conseguiu ser magistralmente respeitado e, ao mesmo tempo, superado. Alyla Browne e Anya Taylor-Joy mostraram ao que vieram em suas cenas repletas de ação, dor e frustração. Com olhares, gritos, vozes, atitudes e rodeadas por um ambiente incrível com trilha sonora afiadíssima, elas nos entregaram a heroína de ação mais completa que o cinema já produziu. Furiosa tem a performance, o design, a história e as interpretações necessárias para se tornar o ícone que é, sem dever em nada às décadas de cine machão que dominou o gênero por tanto tempo. Junto do vilanesco Dementus (Chris Hemsworth), cuja irracionalidade destrói o pouco equilíbrio desse mundo em frangalhos, temos Mary Jabassa (Charlee Fraser) sendo a mãe de Furiosa e uma heroína de ação absurdamente eficaz, mostrando desde os primeiros minutos a que o filme veio. Num forte manifesto anti capitalista, anti patriarcal, anti fascista e anti direitista vestido numa fotografia incomparável, personagens incríveis e design de produção irretocável, George Miller não só responde “Quem Matou o Mundo?” como também “Quem irá salvá-lo?”. E que nome melhor para uma mulher que teve tudo roubado pelo patriarcado do que FURIOSA?

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