Bristol, O Açougueiro (Agustín Zaragoza - Raphus Press)

Agustín Pérez-Zaragoza Godínez foi um escritor espanhol do século XIX. Sua data de nascimento não é precisa e não há nenhum tipo de retrato ou descrição do homem – pelo menos até onde minha pesquisa foi. Zaragoza é notado como um dos primeiros escritores de terror/gótico em espanhol, tendo uma obra robusta e desconhecida por aqui e, pelo que percebi, no mundo anglófono – o mais longe do mainstream o possível. A obra do espanhol chega até nós pela brilhante Raphus Press, editora focada em literatura subversiva e fora do radar, capitaneada pelo editor, tradutor e escritor Alcebíades Diniz. BRISTOL, O AÇOUGUEIRO é a obra escolhida e traduzida para um novo público. Com ela, Zaragoza entra no projeto EMISSÁRIOS SOMBRIOS, que une pérolas da ficção fantástica, especulativa e de horror feitas por autores menos conhecidos. Na história, acompanhamos um jovem hercúleo chamado Bristol, conhecendo sua infância, seus apetites nefastos e parte de sua vida adulta. Como um leitor ávido de Conan, fui surpreendido pela capacidade incrível de Zaragoza em descrever esses homens dignos de olimpíadas gregas e portadores de uma violência e vilaneza rubemfonsequianas. Ironicamente, Zaragoza, um espanhol, deixa a crueldade, a truculência e a ausência total e completa de caráter para os ingleses e escoceses. Ao longo de uma narrativa ágil (pelo menos em português e inglês, não li em espanhol – mas no livro temos as três versões), o autor nos mostra cidades e vilas decadentes e entregues ao crime, populadas por uma “elite” igualmente vil e que – como sempre – usa dos mais pobres para obter espetáculos perversos. Com quebra da quarta parede, o narrador mostra os desvios de caráter e o quase moralismo da coisa, se ele próprio não estivesse ávido para descrever tudo e, de fato, contar detalhes incômodos como quem porta um sorriso malicioso, ao melhor estilo dos apresentadores dos quadrinhos Creepy e Eerie. Quadrinhos que, inclusive, teriam amado o insólito cruel de Zaragosa e chamariam um Bernie Wrightson para ilustrar terrores e perversões tão reais. Livro extremamente bem-acabado e com belíssimo design, assim como pinturas na capa e entre capítulos que casam com a temática.

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