Crítica de Filme: FRESH - Seu amor é machista e canibal.
Noa odeia namorar, e quem pode culpá-la? Todos os caras são nojentos. Quem aguenta as mesmas perguntas e fingir interesse no que quer que o idiota do dia fala?
“Um cavalheiro é um lobo paciente”, já viram esse ditado?
Apesar do #MeToo, o namoro moderno AINDA é um açougue, um conceito que a crítica doentia, mas satisfatória, de “Fresh” de Mimi Cave, levam ao seu extremo mais literal. Neste filmaço, escrotos de todo o mundo estão salivando por um pedaço das garotas que encomendam online.
É uma alegoria sangrenta para nossa cultura de namoro perigosamente impessoal e voltada para o consumo, Fresh tem muito em comum com torture-porns já conhecidos: pense em Hostel, com um brilho perverso e inteligente. Algo que dificilmente um homem conseguiria dirigir – ou escrever - e construir uma crítica tão relevante ou arrancar atuações tão boas.
Cave e a roteirista, Kahn, conseguem manter o público na posição de Noa, procurando sinais de alerta, mas esperando pelo amor, enquanto nosso vilão é muito charmoso quando precisa, mas ele não tem problemas em ficar ultra dark. E acreditem, fica muito dark.
Deve ser uma das melhores cenas título das últimas décadas!
O negócio é tão eficaz que, em quase duas horas, o filme demonstra de maneira didática todas as falências sociais causadas pelo machismo. O medo de ir a um encontro ou andar na rua e ser violentada, a escrotidão dos machos "bem resolvidos”... até escalar e nos dar frases que soaram como homenagens a filmes que sabiam muito bem o que queriam, como Jennifer’s Body. Lá, perguntam a Megan Fox se ela mata pessoas e ela responde “Eu mato garotos”.
Aqui, temos a incisiva “Só carne de mulher. É o padrão do mercado”. E apenas canibais homens.
Tenho certeza de que quando Cartola falou que a vida era um moinho que trituraria nossos sonhos, ele não imaginava o quanto isso era – é – real para milhões de mulheres.
A única diferença é que, seja com pasta de dente e intelecto como Noa, ou com roteiro e direção brilhantes como Cave e Kahn, elas aprenderam a dar o troco e usar todo o terror ao seu favor.
É 2023 e não ná ninguém fazendo obras de horror tão magníficas quanto aqueles que foram chamados de “minorias” por décadas.
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